Looker Studio: 5 dashboards essenciais pra agência
A maioria das agências usa Looker Studio errado: relatório manual, dados desconexos e cliente que não entende nada. Veja os 5 dashboards que mudam esse jogo.
Nathan Máximo
Máximo do Marketing
A maioria das agências usa Looker Studio como PDF glorificado. Monta um relatório bonito uma vez por mês, exporta, envia. Cliente olha por 30 segundos e arquiva.
Não é isso que Looker Studio faz bem.
Looker Studio é ferramenta de dados em tempo real, compartilhados, que o cliente acessa sozinho quando quiser. Quando funciona bem, o cliente para de te perguntar “qual foi o ROAS dessa semana?” porque já sabe. A agência para de gastar 5 horas por mês gerando relatório e começa a gastar esse tempo em otimização.
Esse artigo é o mapa de 5 dashboards que toda agência deveria ter montado, com o que colocar em cada um.
Por que Looker Studio (e não Power BI, Tableau ou Metabase)
Antes de entrar nos dashboards, a pergunta óbvia: por que Looker Studio?
| Ferramenta | Custo | Curva de aprendizado | Conecta Google nativo |
|---|---|---|---|
| Looker Studio | Grátis | Baixa | Sim (GA4, Google Ads, Search Console) |
| Power BI | Pago (US$ 10+/usuário) | Alta | Não nativo |
| Tableau | Pago (US$ 75+/usuário) | Alta | Não nativo |
| Metabase | Grátis (self-hosted) | Média | Não nativo |
Para agência de marketing digital, Looker Studio é a resposta certa em 90% dos casos. É grátis, conecta com GA4, Google Ads e Search Console sem configuração extra, e compartilhar com o cliente é simples como enviar link.
A limitação real: Meta Ads não conecta nativamente. Precisa de conector terceiro — Supermetrics (~US$ 30/mês), Funnel.io (~US$ 50/mês) ou Looker Studio Connector da própria Meta (grátis, mas limitado). Se tráfego pago é core do serviço, o investimento no conector pago se paga rápido.
Conectores essenciais: configure antes de montar qualquer dashboard
Antes de criar um único dashboard, configure as fontes de dados. É fácil mudar visual depois. Trocar fonte de dados no meio do caminho quebra tudo.
Fontes que toda agência precisa:
→ Google Analytics 4 — nativo, grátis. Conecta em 2 cliques. Fonte base de tráfego e comportamento.
→ Google Ads — nativo, grátis. Conecta por conta de cliente. Pede acesso de leitor ao mínimo.
→ Search Console — nativo, grátis. Dados de impressões, cliques e posição orgânica.
→ Meta Ads — via conector. Supermetrics ou Funnel.io são as opções mais estáveis.
→ Google Sheets — nativo, grátis. Pra dados que não têm API: metas mensais, dados de CRM, número de contratos, leads offline.
Com GA4 bem configurado e UTMs padronizados em todas as campanhas, 80% do trabalho de dados já está feito. O Looker Studio só visualiza o que o GA4 captura — se o GA4 está capenga, o dashboard vai mentir.
Dashboard 1: Visão executiva do cliente
Para quem: dono de empresa, CEO, gestor financeiro.
Frequência de consulta esperada: diária ou semanal.
Objetivo: responder “estamos crescendo?” em 30 segundos.
Esse dashboard tem máximo 8 métricas. Cobrimos o raciocínio em detalhes no artigo sobre dashboard que o CEO realmente lê, mas a versão agência segue a mesma lógica — só que inclui custo de mídia.
O que entra:
| Métrica | Fonte | Visual |
|---|---|---|
| Leads no mês vs meta | Sheets (meta) + GA4 (real) | Barra de progresso com cor |
| Custo por lead (CPL) | Google Ads + Meta Ads | Número grande + tendência 30d |
| ROAS total | Google Ads + Meta | Número + benchmark |
| Faturamento do cliente (se e-commerce) | GA4 ou Sheets | Número + meta proporcional |
| CAC (clientes novos) | Sheets | Número + histórico |
| Top 3 canais por lead | GA4 | Barras horizontais |
| Investimento total em mídia | Google Ads + Meta | Número + mês anterior |
O que NÃO entra aqui: CTR, frequência, CPM, taxa de scroll, posição orgânica. São métricas operacionais — o dono não sabe o que fazer com elas.
Configuração de data range
Sempre usa “período relativo”: últimos 30 dias, mês atual, mês anterior. Nunca data fixa. Se você colocar data fixa, o dashboard vira museu em 31 dias.
Dashboard 2: Performance de tráfego pago
Para quem: analista de mídia da agência + cliente que entende de ads.
Frequência de consulta esperada: diária.
Objetivo: identificar campanhas que estão drenando budget e as que estão escalando bem.
Estrutura de páginas (Looker Studio permite múltiplas páginas no mesmo documento):
Página 1: Visão geral
- ROAS por canal (Meta vs Google) — barras comparativas
- CPL por canal — barras comparativas
- Gasto vs conversões por dia — gráfico de linha duplo
- Comparativo com período anterior (automático via date range)
Página 2: Google Ads
- Gasto, impressões, cliques, conversões, ROAS por campanha — tabela ordenável
- Curva de gasto diário — gráfico de linha
- CPC médio vs histórico — scorecard
Página 3: Meta Ads
- Gasto, alcance, frequência, CPL por conjunto de anúncios
- Top 5 criativos por conversão (via Supermetrics pega nome do criativo)
- Distribuição de gasto por objetivo (topo, meio, fundo)
Ponto crítico: configure o dashboard pra comparar sempre com o período anterior de mesmo tamanho. Comparar semana 1 com mês inteiro não tem sentido. Use o controle nativo de “Comparar com: período anterior”.
Dashboard 3: SEO e tráfego orgânico
Para quem: analista de SEO + cliente.
Frequência de consulta esperada: semanal.
Objetivo: monitorar crescimento orgânico e identificar oportunidades.
Fonte principal: Search Console + GA4.
Métricas:
→ Cliques orgânicos no mês vs mês anterior (Search Console)
→ Impressões orgânicas — indica se Google está indexando mais ou menos
→ CTR médio por página — identifica páginas que rankiam mas não recebem clique (meta description ruim)
→ Posição média por keyword — exporta para tabela, filtra por posição 4-15 (baixa pendurada)
→ Top 10 páginas por tráfego orgânico (GA4)
→ Páginas com queda de tráfego > 20% vs mês anterior — alerta vermelho
Recurso avançado: cria um scorecard de keywords usando Sheets como fonte. Coloca as keywords prioritárias manualmente, posição atual (copiada mensalmente do GSC), posição anterior. Looker calcula se subiu ou desceu. Trabalho de 10 minutos por mês, mas o cliente vê progresso visual.
Para quem usa GTM com eventos avançados, dá pra cruzar tráfego orgânico com comportamento na página (tempo, scroll, cliques em CTA) — visão completa de qual conteúdo orgânico realmente converte.
Dashboard 4: E-commerce e conversões
Para quem: cliente com loja virtual ou equipe comercial.
Frequência de consulta esperada: diária.
Objetivo: monitorar funil de vendas do topo até o caixa.
Fonte principal: GA4 com e-commerce configurado.
Estrutura:
Resumo financeiro (topo da página)
- Receita do mês vs meta
- Número de transações
- Ticket médio
- Taxa de conversão do site (sessões → compras)
Funil de conversão (visual obrigatório)
Looker Studio tem o visual de funil nativo. Configure:
- Sessões
- Visualizações de produto
- Add to cart
- Checkout iniciado
- Compra finalizada
Vê em qual etapa você perde mais. Checkout abandonado alto? Problema técnico ou de confiança. Add to cart baixo? Página de produto fraca.
Top produtos e categorias
Tabela com produto, receita, quantidade vendida, ticket médio. Ordena por receita.
Canais que mais vendem (não que mais trazem tráfego)
Filtro de GA4 por evento purchase agrupado por session_source_medium. Diferente de tráfego geral — foca em quem realmente comprou.
Aviso importante: GA4 e-commerce exige implementação correta. Se o cliente não tem purchase configurado com value e currency, o dashboard de receita vai mostrar zero. Antes de montar o dashboard, valida com o relatório de Monetization do GA4. Artigo complementar com a atribuição real cruzando GA4 com Meta e Google.
Dashboard 5: Saúde da agência (dashboard interno)
Para quem: sócios e gestores da agência — não o cliente.
Frequência de consulta esperada: semanal.
Objetivo: monitorar se a agência está crescendo e quais clientes são mais rentáveis.
Esse dashboard muita agência esquece de montar pra si mesma. Fica tão ocupada fazendo dashboard pro cliente que não tem dados da própria operação.
Fonte: Google Sheets alimentado manualmente ou via Zapier/n8n puxando do CRM.
Métricas que entram:
→ MRR (receita recorrente mensal) — total e por cliente
→ Churn do mês — clientes que saíram × clientes que entraram
→ Margem por cliente — receita do contrato menos custo de equipe alocada
→ NPS dos clientes — pesquisa trimestral, plotada em linha ao longo do tempo
→ Horas consumidas por cliente — se a agência usa time-tracking (Toggl, Clockify), exporta pra Sheets
→ Clientes em risco — campo manual: Atenção / Ok / Risco. Scorecard vermelho/amarelo/verde.
Um scorecard simples com margem por cliente revela muito rápido quais contratos estão descasados. Agência que não mede margem por cliente não sabe onde está perdendo dinheiro.
Como organizar os dashboards sem virar caos
Com múltiplos clientes, o Looker Studio pode virar bagunça rápido.
Estrutura de pastas recomendada:
Máximo do Marketing (pasta raiz)
├── Templates/
│ ├── [TEMPLATE] Visão Executiva
│ ├── [TEMPLATE] Tráfego Pago
│ ├── [TEMPLATE] SEO
│ └── [TEMPLATE] E-commerce
├── Cliente A/
│ ├── Visão Executiva - Cliente A
│ ├── Tráfego Pago - Cliente A
│ └── SEO - Cliente A
└── Cliente B/
└── Visão Executiva - Cliente B
Regra de ouro: nunca comece dashboard do zero. Duplique o template, renomeie, troque a fonte de dados. Em 10 minutos o dashboard do cliente novo está pronto.
Permissões de compartilhamento:
- Sócios da agência: Pode editar
- Analistas: Pode editar (apenas dentro da pasta do cliente deles)
- Clientes: Pode ver (nunca editar — evita acidente)
Looker Studio compartilha por link ou email Google. Prefira link com permissão “qualquer pessoa com o link pode ver” — o cliente não precisa de conta Google, facilita demais.
Os erros que transformam dashboard em lixo
1. Atualização manual
Dashboard que depende de alguém copiar número de planilha morre em 3 semanas. Se não está automatizado, não entra no dashboard.
2. Falta de contexto
Número sozinho não diz nada. “432 leads” é bom? Ruim? Coloca sempre: meta, período anterior, variação percentual. O cliente precisa saber em 5 segundos se o número é verde ou vermelho.
3. Dashboard único pra públicos diferentes
Analista e CEO não precisam da mesma informação. Separar não é trabalho a mais — é menos reunião de alinhamento.
4. Sem mobile
CEO vai abrir no celular em algum momento. Looker Studio tem preview de mobile. Usa. Fonte muito pequena e layout de desktop no celular = dashboard que ninguém acessa de manhã.
5. Esconde o ruim
Agência que monta dashboard só com métricas positivas perde a confiança do cliente mais rápido do que o resultado ruim. Dashboard honesto que mostra o que vai mal e o que está sendo feito pra resolver vale mais que relatório celebração.
Looker Studio bem configurado muda a dinâmica com o cliente: para de ser prestador de serviço que entrega relatório e vira parceiro com quem o cliente conversa sobre números. É diferença de posicionamento, não só de ferramenta.
Se você quer montar esses dashboards com os dados reais da sua agência ou dos seus clientes, fala com a gente.
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